Necessidade da Mentira

0

A mentira dever ser rechaçada sob qualquer forma em que se apresente, em face dos prejuízos morais que provoca, levando à maledicência, à calúnia e a todo um séquito de terríveis distonias psicológicas e éticas no comportamento social.

O mentiroso é alguém enfermo, sem dúvida, no entanto provoca desprezo, em razão da forma de proceder, tornando sua palavra desacreditada mesmo quando se expressa corretamente, o que nem sempre acontece. De tal forma se lhe faz natural alterar o conteúdo ou a apresentação dos fatos, que os revela de forma irreal, esperando manipular pessoas através desse ignóbil ardil.

As raízes da mentira estão no lar mal formado, instável, onde a insegurança era substituída pela compra dos valores que a fantasia disfarça.

Além desse fator, os conflitos da personalidade induzem ao comportamento da fantasia, em fuga neurótica da realidade, que constitui ao paciente um verdadeiro fardo, que não gosta de enfrentar.

As coisas e os acontecimentos para ele devem ser coloridos e sempre bons. Assim, quando não ocorre, o que é
normal, apresentasse-lhe assustador, parecendo ameaçar-lhe a paz e levando-o ao mecanismo da falsificação do acontecimento.

Tornou-se tão habitual o fenômeno da distorção dos fatos, que se criou a imagem da chamada mentira branca, isto é, aquela de caráter suave, que não prejudica, pelo menos intencionalmente, e evita situações que se poderiam tornar desagradáveis, caso fosse dita a verdade.

A face da verdade é transparente e nunca deve ser ocultada.

Na história da humanidade, as grandes lições sempre foram apresentadas de forma poética, simulada, velada, a fim de sobreviverem aos tempos e terem o seu significado interpretado conforme os parâmetros de cada época, em todos os séculos, como o Vedanta, a Bíblia, o Zend Avesta, o Corão, para nos referirmos a apenas alguns dos grandes Livros espirituais, passando pela literatura de Homero, de Virgílio, de Ovídio, de Horácio, de Dante.

São assim os contos, as suras, as parábolas, as estórias, os koans…

Apesar da forma, a verdade ressalta no conteúdo dessas narrativas, levemente escondida, de modo a preencher o entendimento daqueles que as ouviram dos seus autores, bem como tornar-se fácil narrá-las à posterioridade, que delas todas se vem beneficiando no transcurso dos milênios.

Há, quase sempre, nos indivíduos, uma reação psicológica contra a verdade. Deseja-se sempre ouvi-la, porém, como se assevera popularmente, dourando-se a pílula, isto é, escamoteando-a.

Certamente, não se deve zurzi-la como um látego, que é uma forma neurótica de agir, de impor-se com a sua verdade, ferindo e, dessa maneira, sentindo-se triunfante, em mecanismo perturbador de falsa superioridade moral. Todo aquele que assim procede é portador de grave complexo de inferioridade inconsciente, que se exibe como autoridade e fiscal da fragilidade humana.

A verdade deve ser ministrada com naturalidade, suavemente, sem alarde, sem imposição, mas também sem ser falseada, sem perder a força do seu conteúdo.

O mentiroso desculpa-se, incidindo no erro e acusando as demais pessoas, que parecem não o entender, fugindo à responsabilidade das suas informações alteradas.

Uma disciplina e vigilância rígida na arte de falar, procurando repetir o que ouviu como escutou, o que viu conforme ocorreu, evitando traduzir o que pensa em torno do assunto, que não corresponde à legitimidade do fato, são de vital importância para o encontro com a realidade.

A terapia da boa leitura, dos hábitos saudáveis no campo moral, sem pieguismo nem auto compaixão, produz resultado relevante e reajusta o indivíduo à harmonia entre o que pensa, vê, ouve e fala.
Não há, portanto, necessidade de mentir, e quando isso ocorre, defronta-se um distúrbio de comportamento que precisa ser corrigido.

A filosofia budista, entre outros ensinamentos nobres, mostra as sete linhas da conduta saudável, estabelecendo os itens ideais do bem proceder, dos quais destacamos apenas: pensar corretamente, falar corretamente, agir corretamente…
No pensamento, portanto, tem lugar o planejamento de tudo.

Dessa forma se deve pensar com correção, falar com correção, de modo a se poder agir com correção.

Por isso, a vida familiar deve ser um lugar de segurança emocional, de realização total e não o reduto onde se vão descarregar o meu humor e as tensões do cotidiano.

Uma criança de sete anos indagou à sua genitora, profissional de televisão, por que ela sempre se apresentava sorrindo na tela do aparelho, enquanto que em casa estava sempre aborrecida e enfezada.

Surpreendida com a indagação, a senhora respondeu que, na televisão, ela ganhava para sorrir. Diante da resposta, a filha, que a amava, indagou–lhe, esperançosa: – E quanto a senhora quer ganhar para sorrir também em casa?

Os filhos são mais do que reproduções do corpo. Trata-se de Espíritos atentos, necessitados uns, preparados outros, para seguirem adiante e construírem o mundo do futuro. Todo o cuidado que lhes seja dispensado é sempre de resultado feliz.

Joanna de Ângelis – Psicografado por Divaldo Franco

Livro Desafios e Soluções

Share.

Leave A Reply