Lutas Conflitivas

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A experiência vivencial é feita de lutas.

No passado remoto, o mais forte venceu a fragilidade do outro e impôs-se, abrindo o campo da evolução antropológica.

À medida que o cérebro foi-se desenvolvendo sob o império do psiquismo espiritual e tornando-se mais complexo, a inteligência contribuiu para que o processo de vitória se fizesse menos agressivo, embora ainda predomine na criatura humana uma soma de manifestações da natureza animal.

O ser, no entanto, já discerne, repetindo as lutas cruentas por atavismo e sentido de perversidade, muitas vezes patológica, que lentamente serão superadas pela força mesma da evolução.

Apesar disso, abandonar os patamares mais imediatos, do que considera como necessidade de sobrevivência, exige uma luta feita de conflitos entre o que se desfruta e ao que se aspira, o que se tem e o que se pode e deve conseguir.

Essa luta tem muito a ver com os hábitos ancestrais que deixaram sulcos profundos no inconsciente e que se repetem por quase automatismo que à razão compete superar.

Nesse esforço ressurgem as impressões das reencarnações próximas, caracterizadas pela predominância do instinto, sem matrizes dominantes da razão e do sentimento de solidariedade.

Reaparecem, então, como tormentos íntimos, frustrações e desaires que atormentam, exigindo terapia conveniente e esforço pessoal, a fim de ultrapassar os limites impostos pelas circunstâncias.

Da mesma forma que existe o fototropismo, o heliotropismo, podemos encontrar na vida um psicotropismo superior propelindo os seres iniciantes a crescer, a se direcionar no rumo do Pensamento Causai e Organizador de tudo.

É inevitável essa atração e ninguém pode fugir-Lhe ao imperioso magnetismo, que vitaliza tudo e a tudo envolve.

A luta, porém, trava-se no âmago do ser acostumado ao menor esforço e muitas vezes à exploração do trabalho alheio.

Nessa ascese, cada qual desempenha um papel importante e ninguém pode viver por outrem o compromisso que lhe cabe atender.

Esse crescimento é feito com suot e esforço bem-direcionado que, por isso mesmo, compensa e fascina abrindo novas oportunidades e desenvolvendo outras propostas de integração, que não mais se compadecem com a autocomiseração, nem com a angústia, medo, limites a que se está acostumado.

O desafio da evolução é grandioso e todos os seres são conduzidos inevitavelmente à sua conquista.

Como luta pode oferecer resultados sempre melhores, porque fortalece aquele que combate, essa, a da evolução das necessidades básicas para as libertadoras, superará os conflitos em que o ser vem mergulhado, libertando-o das amarras que o prendem na retaguarda do progresso.

Os seres humanos que caminham sob o jugo da insegurança pessoal, diante da vida, aclimatam-se às regiões de sombras, porque aí se refugiam para prantearem os limites em que se comprazem, temendo tomar decisões que os libertariam, mas que, por outro lado, exigem-lhes o denodo, o sacrifício e a coragem para não desistir.

Começada essa batalha nova, a de conquistar os espaços da evolução, mesmo sob conflitos perturbadores, dá-se o primeiro passo, que logo será seguido por outros, até o momento em que o prazer de ser livre se torna emulador para mais audaciosas realizações.

Ninguém, portanto, aspire a vencer, aguardando que outros realizem o esforço que lhe cumpre desenvolver, porque a conquista é pessoal e intransferível, não havendo lugar para fraude ou enganos.

Quando o homem primitivo ergueu os olhos para o Infinito, atemorizou-se e curvou-se ante a majestade que não conseguiu entender.

Lentamente, porém, perscrutando a Natureza e exercitando-se, passou do instinto grotesco para os mais refinados e abriu o campo da razão, que lhe faculta alcançar as primeiras manifestações da intuição que lhe será patrimônio futuro, quando totalmente livre dos imperativos da matéria.

Assim, a luta conflitiva cede lugar à de natureza consciente e racional, porque apresenta a meta a ser conquistada, sem cuja vitória o sofrimento permanece como ditador, impondo as suas diretrizes arbitrárias e nem sempre necessárias.

A vida não exige dor, mas brinda amor.

Joana de Ângelis

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